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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Dalva e herivelto – paixão e sofrimento produzindo arte



herivelto2 Na história da Humanidade frequentemente a arte está associada a paixão e muitas vezes ao sofrimento. Apesar de não ser condição Si ne qua non para a produção artística, inúmeros casos ilustram que o artista, quando atormentado pelo sofrimento, é capaz de produzir obras primas.

Para citar alguns exemplos – Van Gogh no auge da perturbação presenteou o mundo com quadros imortais. O músico Eric Clapton, diante da dor da perda do filho num acidente doméstico, compôs uma das mais belas canções dos últimos tempos, Tears in Heaven. Clarice Lispector, cujas entrevistas deixava transparecer um sofrimento primordial em relação a existência humana, escreveu verdadeiras pérolas da litetura unversal. Com Dalva e Herivelto, a coisa não foi diferente.

O autor de uma das mais belas canções da música popular brasileira, Ave Maria no Morro, foi autor de uma enxurrada de músicas inesquecíveis quando se separou da cantora Dalva de Oliveira, que por sua vez retratou com singularidade a dor do abandono e da mágoa interpretando com perfeição queixas, lamúrias e respostas às composições do ex-marido Herivelto compostas por amigos do casal.

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Até mesmo o ator Fábio Assunção, afastado do cenário artístico para tentar livrar-se do vício das drogas, dá mostras que o sofrimento e as batalhas que viveu estão auxiliando no necessário amadurecimento para compor um Herivelto verossímil.

Para nós, pobres mortais, não agraciados com a genialidade, resta reagir diante das tragédias da vida como podemos, aos gênios,como Beethoven e tantos outros que fizeram da dor um estímulo para agraciar o mundo com maravilhas, resta a merecida imortalidade…

Letras das músicas de Herivelto Martins

Blog do fã clube de Dalva de Oliveira

Site oficial da minissérie

Dalva de Oliveira na Wikipédia

Herivelto Martins na Wikipédia



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Meu Brasil é com "s"

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Faz tempo que se utiliza a grafia do nome do nosso país com "z" - “Brazil” como um símbolo da influência estrangeira . São muitas as referências ao tema. Algumas vem da música, respectivamente uma bossa cantada pela improvável dupla Rita Lee e João Gilberto “Meu Brasil é com s” e a música do Aldir Blanc “Querelas do Brasil” interpretadapela Elis numa gravação insuperável(veja as letras dessas músicas no final da crônica).

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Entretanto, de acordo com pesquisas históricas, “Brazil” grafado com “z” não foi uma invenção estrangeira, mas sim nossa. A forma de grafar o Brasil com "z" foi utilizada no decorrer da nossa história alternadamente com o "s". O que não existiu por muito tempo foi uma padronização pois não tínhamos nem mesmo uma Academia Brasileira de Letras e apenas em 1945 Brasil e Portugal acertaram um acordo ortográfico que incluiu adotar oficialmente o Brasil com "s". Como uma boa parte do mundo já tinha impresso documentos com "z", ficou assim. A prova está numa reprodução inserida abaixo de uma cédula de mil réis anterior a 1917 na qual pode-se ler “República dos Estados Unidos do Brazil”.

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brasilolho Os companheiros de geração devem se lembrar (1960, el tiempo pasa amicos!) o quanto nossos pais nos enrolaram com a expressão “O Brasil é o país do futuro”. Qualquer deficiência nacional nos últimos quarenta e tantos anos era resolvida em última instância, sem direito a réplica, com a surrada frase. O tempo passou e por incrível que pareça nossos pais não estavam tão errados assim, se por um lado falta muito para o Eldorado prometido com leite e mel escorrendo pelas torneiras, por outro não vamos tão mal assim, se não somos o país do futuro ,pelo menos a coisa promete ficar no empate, o que para a surrada auto estima nacional, já e lucro.

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Os problemas atuais do Brasil nem são relacionados ao Brazil, para utilizar a referência. A economia vai dando sinais de desenvolvimento, temos um momento histórico singular no qual a família média brasileira conta com uma configuração de renda bastante favorável, as políticas sociais diminuem gradativa mas continuamente o detestável desnível de classes. Ou seja, as plataformas para a construção de um futuro viável estão todas em cena. Assistimos recentemente até mesmo o que poderia ser considerado um delírio surrealista há cerca de uma década – oferecer ajuda ao FMI! Uma notícia como essa seria motivo de uma guia de internação em qualquer hospício para o jornalista. Hoje, virou fato.

Decepcionante e retrógada continua sendo mesmo a nossa classe política. Para esses, nem Brasil, nem Brazil, é Brasiú mesmo. Nunca a roubalheira foi tanta e tão descarada. Somos espectadores de um descaramento sem precedentes na história recente na refinada arte de apropriar-se do alheio, “apropriar-se” no caso um eufemismo para “roubar” e “alheio” para o seu, o meu e o nosso dinheiro pago em impostos que se esparramam feito carrapicho pelos produtos e serviços consumidos ou desejados por toda a nação. Se fosse o caso de aplicar leis severas como se faz em alguns países árabes e cortar a mão dos infratores, os espetáculos artísticos em Brasília iam ser todos cancelados por falta de público apto a bater palmas.

Por essas e outras, talvez tenhamos que dizer aos nossos filhos quando perguntados sobre a roubalheira cotidiana que a mídia estampa em nossas casas –” Não tenha pressa, O Brasil é o país do futuro” ou pior, reproduzir a frase que certa vez li num muro e que volta e meia ressurge mais atual do que nunca ´”A solução para o Brasil é devolver para os índios e pedir desculpas”

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(João Gilberto)joao-gilberto[/caption]

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-Letra de Brasil com “s” (João Gilberto)

Quando Cabral descobriu no Brasil o caminho das Índias
Falou ao Pero Vaz para Caminha escrever para o rei
Que terra linda assim não há com tico-ticos no fubá
Quem te conhece não esquece meu Brazil é com S.
O caçador de esmeraldas achou uma mina de ouro
Caramuru deu chabu e casou com a filha do Pajé
Terra de encanto, amor e sol,
não fala inglês nem espanhol
Quem te conhece não esquece meu Brazil é com S.
E pra quem gosta de boa comida aqui é um prato cheio
Até Dom Pedro abusou do tempero e não se segurou
Oh, natureza generosa, está com tudo e não está prosa
Quem te conhece não esquece meu Brazil é com S.
Na minha terra onde tudo na vida se dá um jeitinho
Ainda hoje invasores namoram a tua beleza
Que confusão veja você, no mapa-múndi está com Z
Quem te conhece não esquece meu Brazil é com S.

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(Maurício Tapajós e Aldir Blanc)tapajoseblanc

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Letra de “Querelas do Brasil” (Maurício Tapajós e Aldir Blanc)

O Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil
Tapi, jabuti, liana, alamandra, alialaúde
Piau, ururau, aquiataúde
Piau, carioca, moreca, meganha
Jobim akarare e jobim açu
Pererê, camará, gororô, olererê
Piriri, ratatá, karatê, olará
O Brazil não merece o Brasil
O Brazil tá matando o Brasil
Gereba, saci, caandra, desmunhas, ariranha, aranha
Sertões, guimarães, bachianas, águas
E marionaíma, ariraribóia
Na aura das mãos do jobim açu
Gererê, sarará, cururu, olerê
Ratatá, bafafá, sururu, olará
Do Brasil S.O.S. ao Brasil
Tinhorão, urutú, sucuri
O Jobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, cordovil, Caxambi, olerê
Madureira, Olaria e Bangu, olará
Cascadura, Água Santa, Pari, olerê
Ipanema e Nova Iguaçu, olará
Do Brasil S.O.S. ao Brasil
Do Brasil S.O.S. ao Brasil

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Dalva e herivelto : um banho de emoção

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Segunda-feira, dia 04 de Janeiro. O relógio avança, a noite chega. Começamos o ano envoltos em tragédias provocadas pelas chuvas no litoral, uma sensação estranha de que a liberdade de ir e vir pelo mundo tornou-se refém da intolerância humana. Feliz ano novo? Veremos. Resta-nos a ficção dos cinemas, da televisão, mesmo transitando entre a medíocridade e a genialidade, a arte dos nossos dias abre clareiras nas densas trevas da realidade. Essa é a promessa da nova minissérie, presente na beleza das cenas que os comerciais deixaram entrever, possível na riqueza do tema.

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A novela “chap chap” do Manoel Carlos estica-se nas suas obviedades e finalmente a tela se ilumina com as cores da história passional de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Logo nos primeiros minutos a figura do ator Fábio Assunção surge feito uma fênix. Ele que submergiu da luta contra as drogas enfrenta agora um desafio bem mais ameno e tranquilo – encarnar o cantor e compositor Herivelto Martins. As cenas se sobrepõem e aos poucos o ator vai diminuindo e o personagem cresce. Quando Adriana Esteves surge, qualquer dúvida sobre a possibilidade de uma atriz conhecida conseguir ceder o necessário espaço para a personagem se esvanece no ar. Adriana está mais Dalva do que qualquer uma poderia ser e logo se nota que a atriz trabalhou duro para dar sopro de vida à uma mulher cuja estatura foi maior do que a própria voz aveludada.

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Assim, por mais de uma hora, embalamos em um tempo que a geração atual não conheceu mas do qual certamente sentirá saudades, seja pelo glamour do Cassino da Urca, reconstruído com perfeição na minissérie, seja pela dimensão humana da história do casal cuja vida foi um carrossel de paixões, seja por personagens saudosos do passado tais como Grande Otelo e Araci de Almeida que desfilarão na frente das câmaras essa semana.

O figurino perfeito, o ambiente urbano do Rio de Janeiro da década de 30 recriado por computação gráfica e os detalhes de decoração mostram que a indústria cinematográfica e televisiva em nosso país merece o prestígio internacional que alcançou nas últimas décadas.

Nosso país, conhecido pela falta de memória, ganha com a iniciativa de proporcionar às novas gerações a oportunidade de conhecer um pouco mais de nossa história e da grandiosidade de sua música acondicionados numa embalagem sofisticada que não deixa nada a dever aos grandes e poderosos centros de produção artística mundial.

Para Saber mais sobre Dalva de Oliveira e Herivelto Martins

Site oficial da minissérie

Dalva de Oliveira na Wikipédia

Herivelto Martins na Wikipédia

Blog sobre Dalva de Oliveira

 

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